pelada no mato

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É muita sorte viver em Santa Catherine. Isso porque em caso de calor, tu tens: praia linda; em caso de frio, tu tens: serra linda. E lá fui eu passar um fim de semana muito bom na casa da família do namorado. Antes da entrada para o sítio, passamos no mirante da Serra da Boa Vista, com 1.250 metros de altitude.

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Chegar lá até que foi fácil. O problema mesmo era manter-se em chão seguro por conta da combinação vento + precipícios, haha. Foi possível ver uma grande vista por um tempo até que, por conta do vento, em poucos minutos estávamos no meio de uma neblina imensa lá em cima. Já não sei via nada, nem a paisagem, nem o caminho mais na frente, e isso foi muito bom também, haha. A quantidade de nó no meu cabelo eu não sei explicar.

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Passamos um bom tempo ali. Frank queria desvendar todos os caminhos do mirante, mesmo sem enxergarmos as estradinhas. Por fim, ao retornar, dona neblina já havia se dissipado. E deu Frank, agora vamos embora porque eu vou voar.

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Esta era a vista que eu tinha na casa. Aliás, na esquerda do morro, se olhar bem, existem antenas. Lá é onde estávamos mais cedo (:

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Quentinho, comida, bebida, (e bichos. Mantive a porta do quarto fechada para proibir a entrada de pererecas).

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Espero voltar no inverno, para pegar as temperaturas negativas da região.
E com isso: vem em mim pinhão, my body is ready.

 

prepara as comida

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Dezembro, mês de comer muito da mesma coisa, mas como ceia é uma delícia, a gente come mesmo. E eu iniciei o mês confiante demais. Resolvi correr o risco de fazer uso das minhas inexistentes habilidades manuais para fazer os pacotes dos presentes de natal (comprei mês passado, ainda faltam dois) e veja acima: deu certo! (:

E por falar em comida, teve casamento este fim de semana. E eu não repeti o prato da janta por vergonha, já que ninguém da mesa onde eu estava tinha a intenção de fazê-lo. Arrependida? Muito. A festa foi em Nova Veneza, cidade pequenina no sul do estado. Como tínhamos três horas de estrada, nos arrumamos lá. Aquela maleta cuidadosamente feita, porque se esquecer de alguma coisa, já era.

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Bebi muito guaraná e dancei Anita, acho. Ou era Valesca?

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Uma surpresa foi o hotel. Era ótimo, uma cama gi-gan-te, vista da cidade e um café da manhã cheio de coisa boa. Eu só falei de comida até agora, pelo o que pude perceber.

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Aqui em casa, a selva particular continuou nestes dias também. Tem um ramo que vai fazer duas semanas de aniversário.

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Vermelho na sala. Parece um cérebro, mas diz minha mãe que a flor se chama Crista de Galo.

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E no próximo capítulo, o tradicional post da BlackFriday, com cada vez menos aquisições pois: impossível, haha.

FÉREAS : ALEMANHA III – Bauhaus dessau

(Este post é continuação de Féreas: Alemanha I – Impressões e Féreas: Alemanha II – Hospedagem).

Já estava no meu cronograma de viagem. Separei um, dos oito dias que ficaria em Berlim, para ir à cidade de Dessau que, segundo o Google, me indicava 1h20min de viagem. Eu não sabia se ia dar certo. Mas deu. Carro alugado na (linda, diga-se de passagem) Berlin Hauptbahnhof e lá fomos nós.

Aos 17, enquanto estudava a história do Design para prestar vestibular, eu me apaixonei pela Bauhaus, por tudo e todos que faziam parte dela. Eu só não sabia que iria até lá um dia e ter a incrível sensação novamente de realizar um sonho da vida.

Chegamos em Dessau e em um dado momento, eu sabia que a edificação estaria do lado direito. Foi um misto de susto com o peito inflado de ar, foi estranho, haha. Já não era mais só uma fotografia num livro.

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Lá estava eu na esquina da Avenida Gropius com a Rua Bauhaus.

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Panorâmica.

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A porta vermelha é a entrada do prédio.

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Vão central e conexão dos dois blocos.

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As famosas sacadas ficam nas costas do segundo bloco.

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Foram incontáveis corredores, escadas e portas. Eu nunca sabia se já havia passado por ali ou não. Portas fechadas porque há trabalho lá dentro, não se pode ir abrindo tudo o que se vê. Mas o visitante anda livremente pelo complexo. Havíamos nós e um excursão de velhinhos, que carregavam seus banquinhos na mão para sentar quando já não tinham mais forças para subir tantas escadas.

O pensamento de Gropius, Van Der Rohe, Kandinsky, Marcel Breuer, Moholy-Nagy todos eles passaram por aqui não saía da cabeça.

Dentro da Bauhaus funciona a Bauhaus Foundation, que mantém todo o legado, organiza uma série de eventos, exposições, workshops, seminários, conferências. A exposição não-fixa que fomos era sobre Hannes Meyer – and the Concept of Collective Design, o segundo diretor da Bauhaus.

E claro, na Bauhaus existe a exposição permanente sobre ela mesma. Não existem fotos porque não é permitido imagens do local. Ver desenhos, protótipos, estudos, maquetes, peças têxteis de tantos nomes foi bastante emocionante pra mim.

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Isto era muito legal para entender o funcionamento da escola. Dentro existe o prédio da Bauhaus planificado e em cada quadradinho uma legenda sobre uma sala/atividade que existia. Tu apertava o botão e o exato local de tal atividade era iluminado de uma cor específica na planta.

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Uma foto tola para provar para mim mesma que eu fui, haha. Suspeito que estas portas atrás de mim eram do auditório. Não abri.

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Na sede existe um café e uma loja, imensa, diversificada, tentadora, um carinho para os olhos e um rombo no seu orçamento, caso não se controle. Mas como já estava na minha lista os posters de lá, vieram 4 (que eram incrivelmente baratos, inclusive). E eu trouxe uma papelada também, haha.

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O ticket que eu comprei dava direito a visitar as Meisterhausër, as casas projetadas aos professores. Eram 5 minutos de caminhada da sede. A área é aberta, o ticket é necessário para entrar nelas. Algumas casas, como a do Walter Gropius, foram completamente destruídas. Elas foram reerguidas a partir da planta. Dentro, serve como um museu com informações sobre as casas. Elas possuem um efeito lindo de luz natural e geometria.

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O restante das casas estão de pé, como a de Kandinsky.

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As casas de Klee e Kandinsky tinham uma paleta de cor à parte em seu interior. Cores primárias se misturavam a cores pastel, nas paredes e portas.

Retornei ao prédio principal e já eram 16h. Havíamos só tomado o café da manhã. Ao dar as costas, como todo adulto maduro, eu chorei. E agradeci ao Frank que, como fez em Los Angeles, me acompanhou em algo muito significativo para mim.

Famintos, pelo Foursquare encontramos o Kornhaus, o único restaurante aberto. Simples e bonito. Pelo o que consegui decifrar do cavalete na entrada, pedia para que os clientes entrassem pelo deck. Demos a volta, ouvimos vozes e lá estava outra excursão de velhinhos, comendo fatias e fatias de doces. Pelo horário, duvidei que ainda serviriam um almoço. Estava enganada, e lá comi um prato maravilhoso que eu não faço ideia mais o que pedi. Era de lamber a louça, haha. Eu tinha vontade de beijar a tia. Ficamos em uma mesa ao ar livre, mas o restaurante lá dentro era uma graça. Só agora pesquisando o nome, descobri que o restaurante é histórico! Foi projetado por Carl Fieger, arquiteto do escritório do Gropius, em 1929 e depois professor da Bauhaus (site oficial do restaurante).

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Neste momento do dia eu parei – mesmo – e olhei à minha volta. Eu estava em Dessau, após visitar a Bauhaus, em um restaurante chamado Kornhaus, a beira do rio Elbe, com o Frank na minha frente. E eu ri, porque a vida, meus amigos, é inesperadamente muito legal com a gente às vezes.

FÉREAS : ALEMANHA II – a hospedagem

Este post é a continuação deste. Eu sou obrigada a dividir a viagem, caso contrário ficará muita informação em um post só. Portanto, temos o citado acima, este da hospedagem. Teremos um por onde passei por lá e outro sobre a ida para Dessau (oi, Bauhaus),  se vocês aguentarem.

Nós chegamos às 23:00 em Berlim, com temperatura de 8°C. Quase caí dura. Eram só 22°C de diferença de onde estávamos. A primeira coisa que conhecemos foi nosso apartamento. Nada melhor do que começar a história por ele.

Eu ia me hospedar em um sonhado hotel, estava combinado. Quando fechamos as passagens e fui fazer a reserva, não havia mais data. E como todo adulto maduro, eu chorei. Chorei na frente da tela do computador. Mas não durou muito, sequei as lágrima-salgada, porque vi que não adiantava nada chorar. Então me dei uma missão: se eu não posso ficar lá, eu vou ficar no apartamento mais lindo de Berlim que eu possa pagar.

Por que raios não fiz isto antes?
O encontrei em poucos minutos.
Imediatamente caguei para o hotel.

Fiquei em Friedrichshain (eu aprendi a falar isso, foram muitas horas no google translate), bairro localizado na antiga Berlim Oriental. Foi numa rua arborizada, com a fachada do prédio pichada na parte de baixo, onde encontrei o amor. Nada é mais incrível do que tu te hospedar em um apartamento local. A experiência na viagem de 2013 já tinha sido muito legal e de novo pensei, por que raios não fiz isto antes? E ainda saiu mais em conta do que o hotel. Airbnb é rei, hoje e sempre.

E este relato é sim de uma pequena alma que vai para o velho mundo pela primeira vez e se encanta por tudo, por exemplo:

A vista da minha sacada.

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E então, dois apartamentos por andar. Porta de entrada gigante, pé direito alto, e o corredor que levava para as duas salas na direita, cozinha, banheiro e o quarto na esquerda. Nunca tinha ficado em um lugar com calefação. Esse troço realmente funciona. A casa parecia um ninho de tão quentinha, haha. O espelho era enorme, lindo demais.

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A sala de televisão, onde a gente descarregava tudo no fim do dia (inclusive nossos corpinhos destruídos).

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A sala de jantar. Essa era a minha visão do sofá. A lágrima escorria dos meus olhos míopes.

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E era na sala de jantar que havia a porta para a varanda. Linda e comprida. Ela me lembra os vídeos que eu fazia pros meus pais quase toda manhã, quando eu dava uma volta pela casa assim que eu acordava, abrindo tudo e contando como foi o dia anterior, haha.

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Frank fazia backup das fotos muito mal.

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Cozinha amada. Eu estou sem foto da bancada da direita, mas era linda, preta, com dois tipos de cafeteira, fogão, máquina de lavar e secar. Era bonita porque tudo ficava escondido atrás de portas. Parecia não ter nada, mas tinha tudo o que a gente precisava. Da janela eu via o estacionamento de bicicletas do prédio vizinho.

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O banheiro era lindo demais. Demais. O banheiro! Com banheira, mas com chuveiro, graças a deus. Até o vaso pra fazer cocô era lindo.

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E aí me dou conta que não tenho foto do quarto. Mas era lindo, como tudo. O colchão abraçava a gente, mortos de cansaço.

Atualizado: Opa, mentira, encontrei esta foto noturna (:

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Eu andei muito por este apartamento. Eu dava voltas e voltas. O chão de madeira rangia, eu abria e fechava janelas. Entrava e saía da varanda. Espiava as janelas dos vizinhos da frente. Peço até hoje para o Frank comprar, mas ele diz que não dá.
Dá é saudade.

FÉREAS : ALEMANHA I – Impressões

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Esta foto não é minha. Foi a primeira imagem que vi da cidade depois que voltei e ela resume tanto, que me apaixonei. A legenda diz: The yellow snake in the grey jungle, a foto é de Alex, postada no I Heart Berlin.

Isso porque antes do post sobre meus dias na Alemanha, eu sinto a necessidade de escrever sobre o que foi ir/estar na Alemanha.

Quanto mais eu crescia, mais minha curiosidade me levava a sonhar com o país. Na minha adolescência, o início do contato com os Zumblick’s de cá com os Zumblick’s de lá, era a história das minhas famílias. Como uma boa aluna, as décadas do século passado que tinham Berlim como protagonista. Quando eu estudava para o vestibular, aos 17, eu descobri que foi na Alemanha, no meio do caos, que surgiu o berço do bom design.

O que eu tinha era amor e muita curiosidade.

Como uma cidade deixada a pó pode ter se reerguido desse jeito?
Como eles lidam com um passado tão escuro e hoje é um país tão promissor?
Como simplesmente dividem uma cidade ao meio?
Como são as pessoas que vivem lá?
Como é morar lá?

E todas estas e outras questões foram respondidas.

Eu cheguei à noite, não conseguia ver nada da janela do avião a não ser luzes lá embaixo. Mas foi só avisarem que estavam iniciando o processo de pouso para meus olhinhos encherem de água e acreditar que sim, aquela lata que voa no céu que eu morro de medo ia descer e ia ser na Alemanha. Frank dormia.

Berlim é, antes de tudo, uma cidade livre.
E ela não merecia nada menos que isso.

As pessoas são livres.
Livres para se mover. Lá, num mesmo cruzamento, tu vês o carro, o metrô de superfície, o ônibus, o ciclista e o pedestre dividindo o mesmo cruzamento. É assustador. E tudo dá certo. Tudo. Os meios de transportes (ônibus, metrô de superfície e subterrâneo) são interligados. Pontual. A cada 5 minutos, o que precisas vai passar. Está lá, em contagem regressiva, para não teres dúvida. O que mais me chamou atenção foram as bicicletas. Eu não esperava por isso, porque a gente só vê Amsterdam. Berlim é um absurdo no quesito bicicleta. Minha primeira visão à luz do dia na cidade, da minha sacada, foi uma mulher de cabelos vermelhos curtos, vestindo uma camisa colorida, com o filho na garupa da bicicleta. Estava levando ele para escola. E assim foram todas as minhas manhãs: pais levando seus filhos na bicicleta, ou ainda mais lindo, as crianças iam ao lado, com sua própria bicicleta. Eu estou falando de crianças, de sei lá, 70 cm de altura. Bicicletas sem rodinhas. Perto de onde fiquei, havia uma escola e em frente à escola havia um estacionamento de bicicletas, bicicletas de crianças. Eu nunca tinha visto tanta criança na rua, tanto carrinho de bebê na rua e nos metrôs. Meu primeiro pensamento foi: meu deus, a taxa de natalidade está alta por aqui. Depois de mais um tempo, eu percebi que a resposta era simples: todas as crianças que eu vi, as inúmeras crianças que eu vi, não estavam numa cadeirinha dentro de um carro no trânsito, como é aqui. Elas estavam nas ruas, com seus pais, indo para onde precisavam ir, da mesma forma. Próximo aos metrôs, estacionamento de bicicletas. Boa parte das pessoas vai de bicicleta até o metrô e segue com ele até o trabalho. Haviam bicicletas em todas as ruas, todas. E assim foram todas as minhas noites: cuidando ao sair da calçada e pisar na ciclovia, porque elas passavam voando, iluminadas, eram pessoas retornando do trabalho, em fila.

Livres para se vestir. O que as europeias estão usando? Mas que bobagem. Pura bobagem. Lá, eles vestem o que querem, como querem. O metrô é um festival. A rua é um festival. De estilosa moça impecável em sua bicicleta (tinha umas que eu queria dar um soco na cara e pedir a roupa e a bicicleta e dizer, moça, me diga aonde estais indo, pode deixar que eu vou no teu lugar), os inúmeros punks sentados na minha frente no metrô com suas cervejas na mão. O grupo de amigos, que mais parecia ter saído dos anos 90. Ninguém olha feio, ninguém fala nada. Ninguém estranha. Só a gente. Meu deus, as pessoas do Neue Heimat! Depois eu conto. Aliás, lá é garrafinha de vidro na mão a qualquer hora do dia. Seja de cerveja ou de qualquer outra coisa. Se der uma briga, morre todo mundo. Mas briga eu não vi. E não é a toa que em estabelecimentos, quando retornas com a garrafa vidro (só-tem-de-vidro e boa parte do tempo vais tomar na boca da garrafa mesmo), ganhas 1 ou 2 euros de volta, dependendo do local.

A arquitetura é livre.
Livre porque é uma desorganização organizada. O velho e o novo junto. Moderna, inusitada. As intervenções. Os prédios! Meu deus, vamos construir um prédio branco e pintá-lo, sei lá, com as cores do arco-íris, mas só meio? Sim. Claro. E fazer só um bloco vermelho? Sim, pode. E neste aqui, que tal uma ilustração de um homem nu com um pênis gigante? Mas por que não? A arquitetura de Berlim não é certinha, alinhada, unitária. Pode ser clássica, pode ser quadrada, pesada, leve, limpa e suja. Não existe medo da cor. Só na esquina da minha rua existiam prédios com lagartixas gigantes pintadas em várias cores! Eu parecia uma coruja, meu pescoço virava 360 graus o tempo todo. Para onde quer que tu olhe, nada será óbvio. Obras, inclusive, estão por toda a cidade. Em todo o lugar. Sempre grandiosas, sejam de restauração ou de ampliação. (Estavam até fazendo outra linha de metrô. Para eles, ainda pode ser melhor).

Livre para contar sua história.
Por pior que seja, o alemão não esconde ou diminui em importância. Ela está lá, de pé. Se não estiver mais de pé, eles te mostram como era, nem que risquem no chão. Não tem problema. Mas vai estar lá, viva para ser vista e nunca esquecida. Museus, tu terás todos e quantos quiseres. Um pensamento estranho que tive enquanto via tudo aquilo foi: ainda bem que aconteceu aqui. Porque só eles para contar a história assim, de forma tão clara, tão explicativa, interativa, demonstrativa, sensitiva. Seja em museus ao ar livre, sejam os fechados, pagos ou de graça. Todas as informações estão lá. Tudo é impecável.

E lá estava eu, no meio de tanta coisa, andando pelas ruas deles, pouco mais de uma semana. E os jovens que passavam por mim, eram os netos dos que passaram pela guerra na década de 1940, os filhos dos que lutaram pela unificação na década de 1980. Era um presente estar ali.