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A experiência amorosa exige sacrifício. Não se ama pra ser recompensado. O amor é a própria recompensa. Não resisto em citar Drummond que fala da poesia coisa parecida: ‘Poesia, o perfume que exalas é tua justificação’.
Não há amor fácil, mas todo amor é maravilha, saúde, ‘remédio contra a loucura’, coisa que Guimarães Rosa ensinou. É a experiência humana mais exigente; não é contrato, troca de favores, investimento, é entrega e compromisso. Do ‘sacrifício’ de amar nasce a mais perfeita alegria. Ninguém faz cara feia quando se sacrifica por amor. Não se ama, trata-se da morte do ego, tarefa a ser feita até o último suspiro.

Adélia Prado, para uma revista Lola velha aqui de casa, antes de eu dormir.

deve ser a tpm, sei lá.

Há cinco minutos atrás eu estava montando mais um pacote que vou enviar pelo correio esta semana. Desta vez vai um mini-travesseiro em forma de menino e dois pares de meia de tamanho ridículo. É pro Arthur, que vai nascer em Manaus mês que vem. O Arthur é o primeiro filho da Sílvia, uma guria pequena, de coração grande que trabalhou comigo e considero amiga. Meu olho encheu d’água de repente quando me dei conta: é o filho da Silvia.
Uma das coisas que já me perguntei (tirando aquelas de onde viemos e para onde vamos) é como uma mãe pode amar tanto uma criatura que está vendo pela primeira vez? Foi com a japonesa grávida que eu tive a resposta. Eu tive quinhentos primos grávidos, mas foi com ela a primeira vez que acompanhei uma barriga crescer tão perto, vendo todos os dias. Eu descobri que o amor de mãe cresce junto com a barriga. Por isso, quando ele nasce, o amor é tão grande. O da mãe e o nosso, que não temos nada a ver com a história.
Pelo correio vão as meias de tamanho ridículo e vai também meu amor em estágio inicial pelo reizinho Arthur. Será muito, muito bem-vindo.

enamorados


Buenos Aires,  junho de 2010.

Feliz é aquele que pode dizer no dia de hoje: obrigada, obrigada e obrigada.