queima desgraçada

Venho aqui dizer que meu corpo agora possui duas queimaduras.
Uma já em processo avançado de cicatrização, no braço direito, no local onde os mano fazem tatuagem. Dá pra escrever um Jejyscleison inteiro no meu braço, graças à forma no forno. A outra aconteceu poucos minutos atrás, onde o molho de tomate espirrou na minha barriga e agora me encontro com duas bolhas bezuntadas de bepantol.
Não sei se é de conhecimento, mas sou Victoria’s Secret e cozinho de calcinha.

Minha boa reputação nesta casa continua crescendo arduamente. Em seis meses completados, quebrei 3, dos nossos 6 copos que usamos no dia a dia. Todos foram repostos, mas o diálogo a seguir repete-se toda semana:

– Frank, deixa eu te contar!
– Quebrou um copo?

– Frank, aconteceu uma coisa.
– Quebrou um copo?

– Frank, não vais acreditar.
– Quebrou um copo?

– Frank, olha só isso!
– Quebrou um copo?

Ontem aconteceu de novo e eu já avisei que caso que eu quebre um copo, ele será reposto, como todos os outros. Ninguém jamais se feriu com os cacos de vidro, somente a pia.

Post passado, coloquei uma imagem da minha mesa de trabalho e esta semana postei uma bagunça fotogênica no meu instagram. Então veio o convite para mostrar meu pequeno local de trabalho em uma série de um blog. Quando for ao ar eu aviso aqui (:

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Como o meu armário fica no mesmo quarto onde temos o escritório, é uma cena comum, haha. A foto foi o resultado de uma sexta e um sábado. Brinco e colar Luiza Dias, pulseiras da Nouvelle e Jana Favoreto, pasta da Animale, carteira Marc by Marc by Marc by Marc Jacobs e meu inseparável caderno Marimekko.

vos pergunto:

O que o povo que vangloria o café diria, se eu contasse que Vó Zilda resolveu testar por café na minha mamadeira aos meus poucos meses de idade, num ato de desespero, porque a chata que vos escreve não queria o leite?
Que depois deste dia, nunca mais tomei outra coisa?
Que NÃO FAÇO IDEIA de qual o gosto que o Nescau tem?
Que minha infância foi xícara de café na minha casa e na casa dos amiguinhos?
Que tomo café, portanto, há 28 anos?
Que isso é absolutamente normal e que não acontece NADA no meu corpo se eu deixar de tomar uma xícara por um dia?

Peço desculpas se a avó destas criaturas não era Dona Zilda, com seu copo de vidro nas mãos, todos os dias, às seis da manhã.
E um grande abraço aos sommeliers de café.

Atenciosamente,
eu mesma.

SENHA 349

Esta vida de muambeira que tenho, me faz conhecer bem as pessoas da agência dos correios que passo a frequentar. Hoje, posso dizer que conheço bem as quatro figuras que me antendem na agência do bairro em que trabalho.

Sendo assim, ao abrirmos a porta, da esquerda para a direita, temos:

Figura 1: O Certinho.
É o único aparentemente normal. Um homem jovem, casado, educado e faz o serviço de postagem bem rápido. Sem graça.

Figura 2: A Velha do TOC (Transtorno Obsessivo dos Correios)
Essa. Não, essa, essa é demais. Eu sempre vou sorrindo em direção à ela, porque sei que ela não sorrirá de volta. A primeira vez que notei a nuvem negra acima de sua cabeça, olhei imediatamente para mão para ver se era divorciada, mas não era (sim, tenho esses pré-conceitos). Ela é absolutamente correta em todos os mínimos procedimentos necessários para o envio da encomenda. Ela reclama de todos (to-dos) os meus pacotes (meu sonho é fotografar para vocês todas as minhas obras de arte feitas com papel A4 e fita adesiva que eu chamo de embalagem). Ela me ensinou que a diferença entre um envelope (que eu entreguei) e um pacote (o que ela queria que eu entregasse) era apenas uma dobra a mais na aba que fecha o envelope. Magnífico. Ela mede tudo, pesa tudo, checa tudo, pergunta tudo. É uma aventura ser atendida por ela e ouvir algum comentário sobre a nova regra imposta pelo correio nacional. É sempre um aprendizado. Te amo.

Figura 3: A Bissa
Mais discreto, notei seu lado feminino apenas pelo modo fino com que fala. Gordinho, um pouco loiro, cabelo com um rabinho de cavalo. Gente boa, me atende simpático e não reclama de nada, com ele tá sempre tudo na paz. Camarada.

Figura 4: O Misterioso
Ele é o único dos quatro que, quando eu pego a senha, eu rezo para que ele não me antenda. Ele me recebe com um sorriso, entrego o pacote e entre as coisas que ele tem que fazer, ele olha pra mim e SORRI. Veja bem, ele está digitando, para, olha para mim e SORRI. Ele está colando o adesivo do PAC, olha para mim e SORRI. Eu juro pelo Senhor Gesus Cristo das Américas que na segunda vez que ele fez isso eu parei de olhar para a criatura, porque não sei como agir. Enquanto ele faz as coisas, eu olho pro teto, eu vejo se eu realmente tenho dez dedos no pé, eu tiro lasca da unha da mão, eu leio sobre os cursos profissionalizantes de Detetive, conto moeda da carteira pela quinta vez, mas nunca, nunca, jamais, olhe para ele. E ele me entrega o papel com o código de rastreio como se estivesse me entregando um lenço para eu enxugar minhas lágrimas. Evito.

E hoje, assim que entrei, a agência estava vazia, todos os quatro atendentes estavam disponíveis. Fui reto, ou seja, no caixa da Figura 1: o Certinho, para não ter erro. Enquanto ele me atendia, segue o diálogo entre os outros três:

A Velha do TOC: Não, mas eu já tenho essa mancha faz muitos anos. Sabe o que aconteceu com as pessoas que eu vi mexer nessas pintas? Virou câncer.

O Misterioso: Mas e a da Angélica?

E sério, A Bissa disse (manézinho sotaque style): Ah, mas a da Angélica não tem pelo. A da guria lá tinha pelo. Ela sofria bullying, sabe? Tinha cabelo na pinta. Fio de cabelo. Sabe, eu queria ser amigo dela, e dizer pra ela: Raxpa isso, menina. Raxpa e faz sabe o que? Uma tatuági de dragão pra tampar.

Aí foi demais.
Aí eu ri na cara do Certinho.
O Certinho ficou extremamente constrangido com a situação e me disse: É cada papo, né? Mas para aliviar a situação, falei a verdade: Fica tranquilo. Eu trabalho com dez mulheres e tu não faz idéia do que a gente fala lá dentro.