Há uma nuvem de lágrima sobre os meus olhos, Dizendo pra mim que

Com a chuva de verão, chegou também um sentimento de saudade imensa e indescritível da que vos escreve. Agora é todo dia. E se repete em mim todo ano. Isto porque é esta chuva que me lembra os mais queridos momentos da infância que tive.

Portanto, a chuva de verão, além de gostosa no fim do dia, em toda a sua demonstração catastrófica, que durará apenas dez minutos, é responsável também por uma imensa sensação nostálgica, e eu sei que é amor. Sou eu, é meu pai, é minha mãe, é minha irmã. Somos nós, depois de um dia inteiro na praia, repetidamente, depois de um belo banho tomado, na varanda de casa, deitados na rede. Dia este com muito sal e sol torrando na pele, enfrentando mar bravo. É minha irmã que já pegou no sono. É meu pai nos lendo um livro na varanda. É a comida da minha mãe. Sou eu vendo a nuvem gigante chegar. Ano após ano, enquanto assim foi.

Da infância, é isso que a gente leva.

Somos pequenos demais para saber de tudo – ainda bem – mas é de lá que carregamos muita coisa para fase adulta.

Eu não sou mãe. Que fique bem claro aqui, eu não sou mãe. Eu sou um adulto que teve a sorte de uma infância feliz. E a felicidade, eu sei, é algo bastante particular em definição. Para mim, felicidade, por exemplo, pude descrever ali. Mas não raramente eu penso: os pais de hoje se preocupam com as memórias que os filhos levarão consigo desta fase? Será que não deveria ser esta a verdadeira preocupação, das dezenas que os vejo falar, que deveria se ter? A gente sabe que, no fundo, as viroses serão curadas, os choros serão calados, os piolhos serão mortos. Precisa mesmo comprar/vestir/ir/fazer aquilo e acolá?

Talvez porque eu e a minha irmã não éramos do tipo que pedia coisas, ou precisávamos ter porque todo mundo tinha. Eu não sei explicar bem o porquê. Eu não sei direito o porquê que estas coisas não eram necessárias para nós duas no dia a dia. Talvez porque esta lacuna era suprida com outras coisas. Coisas que, como descrevo aqui, não custava um real se quer.

Para mim, a chuva de verão, além de gostosa no fim do dia, em toda a sua demonstração catastrófica, que durará apenas dez minutos, é como a sensação que foi minha infância olhando daqui, linda, que durou dez longos e doces minutos.

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10 comentários

  1. wanila

    Me apaixonei perdidamente por tudo que você escreveu, porque me fez lembrar de todas as tardes chuvosas que eu passava na casa da minha avó, ou montando quebra cabeças com meu pai. Obrigada! <3

    1. Lya respondeu wanila

      Olha aí, refrescando a memória dos outros, assim que é bom <3

  2. Isabele

    Nunca mais reclamarei das chuvas de verão. Que coisa mais linda eu vivi lendo suas saudades… 😌

    1. Lya respondeu Isabele

      Que bom (:
      Tenho certeza que lembrou das tuas saudades!

  3. Cíntia

    Compartilhamos do mesmo sentimento, Lya. Este verão em especial, com as chuvas quase diárias ao final da tarde, lembrei muito da minha infância também. Faz anos que não sinto essa estação ser tão familiar, a nostalgia é inevitável. E nessa simplicidade, aquele cheiro de chuva traz uma saudade muito boa. Também é o primeiro verão que me sinto mãe, com um rebentinho na barriga, e está sendo mais especial por isso.

    Adiantando, um Feliz Natal para ti!

    1. Lya respondeu Cíntia

      Cíntia! que legal saber disso! Com certeza será um verão diferente. Depois vais lembrar das chuvas também como a época da barriguinha crescendo (:
      Parabéns! Depois conte se é menino ou menina :D

  4. Isa

    eu sempre penso nisso pq não consigo recordar essas coisas tão boas – quer dizer, ao menos, não tão ‘serenas’. as minhas recordações são meio caóticas, daquelas que depois a gente acaba rindo e falando “ê, família”, canta uma música batida, diz que é coisa de família italiana. eu, na real, não gosto disso, e nunca gostei. fico pensando que quanto tiver o(s) meu(s) pirralhos – pq isso acabou vindo no meu pacote, num vai ter jeito, vou ter que criar uns piolhos – deve ser muito importante tentar criar essas memórias de serenidade, de tranquilidade, de porto seguro. acho que faz parte de criar pessoas mais confortáveis na própria pele e de boas com o mundão, saca?

    e agora tô morrendo de vontade de deitar na rede e ficar ouvindo a chuva :)

  5. Cíntia

    Obrigada! É uma meina, Lya *.*
    Espero que tenha passado bem as festas de Ano Novo! Que este venha cheio de coisas boas pra ti!

  6. Pablo

    Que coisa linda, Lya! Me senti ali, com vocês, na rede da varanda!
    Tenho muito boas lembranças de infância também! Época que não volta mais, momentos que, espero eu, nunca serão apagados da memória.
    Lembro de uma vez, quando, numa noite quente e chuvosa, meu pai resolveu me convidar pra sair e andar. Foi maravilhoso, meu primeiro banho de chuva. Lembro que, na volta, passamos num bar e ele comprou pra mim um doce de banana que vinha numa espécie de cestinha comestível e uma colherzinha de plástico! s2 :.)