Lya ricciardino* motoquera

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Mas como assim motoqueira, quantas vezes tu andou de moto?
Duas.
E isso te faz motoqueira?
Sim.
Mas por que?
Porque na internet é assim que as coisas funcionam mesmo.

Eu comecei meus 30 anos pagando um belo Nunca Diga Nunca.
Pavor de moto, horror de moto, medo de moto.
Meu namorado inventou mais essa.
Já me pus viúva, pedi a câmera dele no testamento (ele nunca acha graça disso) uma vez que vi que jamais tiraria aquilo da cabeça dele.
No meu aniversário, ganhei um capacete para poder andar junto.
Puta merda, cara.

A primeira vez foi fim de semana passado.
Paramos para comer e eu levei uns 25 minutos para baixar a adrenalina e expliquei para ele tudo o que eu senti, porque tudo é muito diferente. Achei que FOCE morrer.
A segunda foi hoje.
Paramos para comer e eu levei uns 15 minutos para baixar a adrenalina e expliquei para ele tudo o que eu senti, porque tudo é muito diferente. Achei que FOCE morrer.

E então, com estas duas corridas de motoboy, aprendi várias coisas enquanto me segurava para não voar, como:

Ele não te ouve
Uma vez que ele me diz que iríamos passear, eu considero passear algo sem grande velocidade, curtindo a bela paisagem. Afinal, ele pode correr, mas sozinho. Porque eu, meus caros, eu quero casar, eu quero ter filhos, eu quero comer muita batata ainda na vida. A verdade é que, segundo ele, comigo é 100 km/h. Vento de cima, vento de lado, vento de baixo. E isso, segundo ele, é pouco. Mas às vezes ficava bom, e então eu descobri que é quando estamos a 80km/h. Para ele, tedioso, para mim uma bênção. Sabe o que eu faço quando estamos numa reta a 80km/h? Eu canto. Canto horrores, sorrio para quem passa do lado, sorrio para o meu reflexo no capacete dele. Hoje, por exemplo, cantei Nina Simone, mas Frank não ouve. Quando ele passa dos 80km/h, a música muda. Eu xingo todas as gerações da família dele. As que existiram e as que virão. Na primeira vez acho que foi até a vigésima geração. Nesta segunda vez, deve ter ido apenas até a décima. Mas ele nunca ouve.

Relaxe a perna, por tudo o que é mais sagrado
Na minha primeira vez, eu achei que se eu agarrasse minhas pernas à moto, eu estaria muito mais segura, não bastando apenas colocar os pés no local adequado e segurar na barriga do seu amor, esmagando com todas as forças o pâncreas do piloto. Tu podes até fazer isso mas, assim que tu saltar da moto: tu não vais nunca mais fechar as pernas, vais andar igual a uma cagada e rir por uma hora de tanta dor. A conclusão foi apenas uma: ideia pior não poderia ter. Nesta segunda vez, relaxei os gambitos. Funcionou, estou ótima. Tremendo, mas andando.

Uma nova preocupação: com que roupa eu vou
Vou iniciar este tópico sendo babaca. Quando eu estava na CROÁCIA, eu andei de scooter. E scooter é muito diferente desta moto. Lá, fomos de scooter para as muralhas e eu estava com este vestido. Quando percebi como estava vestida e com qual veículo iríamos, escolhi o famoso (e raro, em se tratando de mim) foda-se. Amiga, eu peguei as racha daquele vestido, coloquei no meio das minhas pernas e mandei meu namorado tacar ficha. Minhas coxas inexistentes estavam totalmente expostas pela cidade, mas eu pensei: ninguém me conhece aqui, ninguém me verá de novo, qual o problema? Nenhum, oras.
Já na primeira vez que fui andar aqui, sabia que não seria possível vestido, saia, então vamos por um macaquinho, que tal? Imediatamente fui barrada pelo piloto, dizendo que eu ia morrer de frio, que eu era obrigada a tampar as pernas e por um casaco. Como-é-que-é? Não basta só proteger minha calcinha da exposição? A verdade é que para andar na motoca, tu te veste como se fosse inverno. Hoje, um belo dia de sol, estava eu de bota, calça, e 3 camadas de blusas e, no trajeto, não passei calor de jeito nenhum. Fez sentido. Ainda não tenho coragem de ir de sapatilha, tenho medo de que alguma voe no meio do percurso e aí é um adeus eterno.

Duas corridas e minha complexa conclusão é a seguinte:
Dá medo, mas é bom (:

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* O título deste post é baseado neste vídeo, que amamos faz muito tempo. Afinal, esta sou eu, mas na moto.
Donna Patrese, capisco come ti senti.

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9 comentários

  1. wanila

    Hahahaha, adoreeei! Andava muito de moto com meu pai quando era mais nova e morro de vontade de comprar uma pra mim também. Espero que logo você perca o medo. :)

    1. Lya respondeu wanila

      Que legal! Só com a prática né? Mas até que pra duas vezes eu não cair dura de pânico é algo bom, haha (:

  2. BA MORETTI

    eita lya motoquera HAHA

    isso da roupa as vezes me dá um nervoso porque no verão dá um calor da porra. o problema é que paizinho aqui gosta de brincar depois dos 150km/h e eu nem ligo. mas né, só de shorts rola aquele risco de perder as tattoos no asfalto. melhor passar calor e deixar um pouco do glamour de lado nessas horas

    1. Lya respondeu BA MORETTI

      Guria, nem chegamos no calor ainda e eu nem tinha pensado nisso, haha e agoraa? Por enquanto pra andar tá um frio desgraçado.

  3. Mih

    Socorro, que relato mais maravilhoso! HAHAHAHHAHAHAH
    Engraçado que, como sempre andei de moto (desde criança. Filha de motoqueiro à lá Sons of Anarchy mesmo) sempre vi isso com naturalidade e nunca pensei que pudesse ser quase traumático para alguém. Nem que pudesse resultar em um texto tão engraçado <3.

    Logo você perde o medo e ainda vai pedir pra dar uma voltinha, vai vendo!

    1. Lya respondeu Mih

      haha, moto com naturalidade, sua locaaaaa
      Ontem andei de novo, e tive que ir com uma mochila nas costas. Meu deus do céu. O medo de cair para trás? haha

  4. Isa

    nunca.
    vai.
    acontecer.
    com.
    isadora.

    você é muito corajosa, miga.

    1. Lya respondeu Isa

      eu também dizia isso, isa, esse é o problema, haha

  5. Isa

    (só se for com algum amigo de sons of anarchy, maybe)