FÉREAS : ALEMANHA III – Bauhaus dessau

(Este post é continuação de Féreas: Alemanha I – Impressões e Féreas: Alemanha II – Hospedagem).

Já estava no meu cronograma de viagem. Separei um, dos oito dias que ficaria em Berlim, para ir à cidade de Dessau que, segundo o Google, me indicava 1h20min de viagem. Eu não sabia se ia dar certo. Mas deu. Carro alugado na (linda, diga-se de passagem) Berlin Hauptbahnhof e lá fomos nós.

Aos 17, enquanto estudava a história do Design para prestar vestibular, eu me apaixonei pela Bauhaus, por tudo e todos que faziam parte dela. Eu só não sabia que iria até lá um dia e ter a incrível sensação novamente de realizar um sonho da vida.

Chegamos em Dessau e em um dado momento, eu sabia que a edificação estaria do lado direito. Foi um misto de susto com o peito inflado de ar, foi estranho, haha. Já não era mais só uma fotografia num livro.

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Lá estava eu na esquina da Avenida Gropius com a Rua Bauhaus.

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Panorâmica.

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A porta vermelha é a entrada do prédio.

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Vão central e conexão dos dois blocos.

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As famosas sacadas ficam nas costas do segundo bloco.

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Foram incontáveis corredores, escadas e portas. Eu nunca sabia se já havia passado por ali ou não. Portas fechadas porque há trabalho lá dentro, não se pode ir abrindo tudo o que se vê. Mas o visitante anda livremente pelo complexo. Havíamos nós e um excursão de velhinhos, que carregavam seus banquinhos na mão para sentar quando já não tinham mais forças para subir tantas escadas.

O pensamento de Gropius, Van Der Rohe, Kandinsky, Marcel Breuer, Moholy-Nagy todos eles passaram por aqui não saía da cabeça.

Dentro da Bauhaus funciona a Bauhaus Foundation, que mantém todo o legado, organiza uma série de eventos, exposições, workshops, seminários, conferências. A exposição não-fixa que fomos era sobre Hannes Meyer – and the Concept of Collective Design, o segundo diretor da Bauhaus.

E claro, na Bauhaus existe a exposição permanente sobre ela mesma. Não existem fotos porque não é permitido imagens do local. Ver desenhos, protótipos, estudos, maquetes, peças têxteis de tantos nomes foi bastante emocionante pra mim.

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Isto era muito legal para entender o funcionamento da escola. Dentro existe o prédio da Bauhaus planificado e em cada quadradinho uma legenda sobre uma sala/atividade que existia. Tu apertava o botão e o exato local de tal atividade era iluminado de uma cor específica na planta.

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Uma foto tola para provar para mim mesma que eu fui, haha. Suspeito que estas portas atrás de mim eram do auditório. Não abri.

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Na sede existe um café e uma loja, imensa, diversificada, tentadora, um carinho para os olhos e um rombo no seu orçamento, caso não se controle. Mas como já estava na minha lista os posters de lá, vieram 4 (que eram incrivelmente baratos, inclusive). E eu trouxe uma papelada também, haha.

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O ticket que eu comprei dava direito a visitar as Meisterhausër, as casas projetadas aos professores. Eram 5 minutos de caminhada da sede. A área é aberta, o ticket é necessário para entrar nelas. Algumas casas, como a do Walter Gropius, foram completamente destruídas. Elas foram reerguidas a partir da planta. Dentro, serve como um museu com informações sobre as casas. Elas possuem um efeito lindo de luz natural e geometria.

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O restante das casas estão de pé, como a de Kandinsky.

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As casas de Klee e Kandinsky tinham uma paleta de cor à parte em seu interior. Cores primárias se misturavam a cores pastel, nas paredes e portas.

Retornei ao prédio principal e já eram 16h. Havíamos só tomado o café da manhã. Ao dar as costas, como todo adulto maduro, eu chorei. E agradeci ao Frank que, como fez em Los Angeles, me acompanhou em algo muito significativo para mim.

Famintos, pelo Foursquare encontramos o Kornhaus, o único restaurante aberto. Simples e bonito. Pelo o que consegui decifrar do cavalete na entrada, pedia para que os clientes entrassem pelo deck. Demos a volta, ouvimos vozes e lá estava outra excursão de velhinhos, comendo fatias e fatias de doces. Pelo horário, duvidei que ainda serviriam um almoço. Estava enganada, e lá comi um prato maravilhoso que eu não faço ideia mais o que pedi. Era de lamber a louça, haha. Eu tinha vontade de beijar a tia. Ficamos em uma mesa ao ar livre, mas o restaurante lá dentro era uma graça. Só agora pesquisando o nome, descobri que o restaurante é histórico! Foi projetado por Carl Fieger, arquiteto do escritório do Gropius, em 1929 e depois professor da Bauhaus (site oficial do restaurante).

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Neste momento do dia eu parei – mesmo – e olhei à minha volta. Eu estava em Dessau, após visitar a Bauhaus, em um restaurante chamado Kornhaus, a beira do rio Elbe, com o Frank na minha frente. E eu ri, porque a vida, meus amigos, é inesperadamente muito legal com a gente às vezes.

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14 comentários

  1. Wanila

    É incrível como a gente pode ficar feliz com a conquista dos outros. Mesmo sem conhecer metade dos nomes citados nesse post, me emocionei com sua delicadeza e fiquei feliz por você. :)

    1. Lya respondeu Wanila

      Guria, eu ia até por uma observação porque ninguém tem obrigação de saber da Bauhaus, então que não tinha problema não entender a loucura, haha. Mas fico feliz que o sentimento passado pelo texto deu certo (:

  2. Rachel

    É, a vida sabe ser generosa às vezes sim… :)
    Dev ter sido mágico!

    1. Lya respondeu Rachel

      <3 foi!

  3. KARINE

    Que foda, que foda, QUE. FODA.
    Estudei sobre a Bauhaus na faculdade de arquitetura e conhecer tá nas minhas metas de vida.
    Amei as fotos, aquela maquete super modernosa, o poster, tudo lindo. Tudo foda.

    1. Lya respondeu KARINE

      É uma palavra boa para o lugar, FODA. hahaha <3

  4. carol

    Que lindo, lindo lindo! Imagina o tanto de sentimento que você tava tendo nesse lugar?<3
    Chorei com vc, Lya vendo essas fotos! Cancela a viagem pra Mendonza em 2016 que quero ir praí. hahahah

    1. Lya respondeu carol

      obrigada carol <3
      eu choro vendo as fotos das férias, é bem ridículo hahah

  5. Katharine Padilha

    Nooossa, que FODA! Que lugar! Esse foi meu post favorito da viagem. Um dia quero conhecer também, e espero que breve.

    1. Lya respondeu Katharine Padilha

      Que legal, obrigada Katherine! <3

  6. Paula Cipriani

    Ai Lya, que demais!
    Temos uma viagem planejada pra daqui um tempo que inclui Alemanha, certeza que vou incluir Bauhaus no roteiro.
    Essas fotos tão lindonas, de babar!!!
    Beijo.

    1. Lya respondeu Paula Cipriani

      Vá para a Alemanha e me leve na mala, haha

  7. BA MORETTI

    aquele tipo de post que dá vontade de abraçar forte e a gente fica meio boba querendo viver tudo isso também. e putamerda, a arquitetura desse lugar é lindemais ♥

    1. Lya respondeu BA MORETTI

      É fui por amor mesmo, haha, então por isso tanto sentimento envolvido. São muito boas e diferentes viagens assim (: Tomara que tu viva! E seja lá aonde e com o que for!